Alimentos Importados dos EUA Vão Pagar Mais Impostos Para Entrar no Brasil

9 de março de 2010 | por Rafaela |

O governo brasileiro divulgou nesta segunda-feira a lista de produtos americanos que vão pagar mais imposto para entrar no país. Essa decisão foi o resultado de uma batalha comercial vencida pelo Brasil.

A disputa começou em 2002. O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio, a OMC, porque nos Estados Unidos, produtores de algodão ganharam subsídios do governo, além do permitido pelas regras do comércio internacional. Estavam pagando menos imposto e vendendo o produto no mercado interno a preços mais baixos. Uma prática que prejudicava a exportação do algodão brasileiro.

A OMC fez vários alertas aos americanos, que não foram atendidos. Julgou que o prejuízo dos produtores brasileiros com a concorrência desleal era de US$ 829 milhões ao ano.

O Brasil foi autorizado a retaliar, ou seja, a encarecer a entrada de produtos americanos no mercado brasileiro.

São 102 itens com novas taxas de importação, de 12% a 100%. Automóveis, barcos, motocicletas, trigo, molho de tomate, leite em pó, remédios, perfume, goma de mascar e, é claro, tecidos de algodão. As novas taxas vão ter um impacto de US$ 591 milhões.

O governo assegura que não vão faltar produtos. “O consumidor, ao ver o produto norte-americano mais caro, pode buscar o mesmo produto, seja no mercado interno, seja proveniente de outros países”, explicou a secretária-executiva da Camex, Lytha Spíndola.

A medida entra em vigor em um mês. Segundo o governo, o valor da retaliação é o segundo maior na história da OMC. O Brasil ainda prepara novas barreiras nos setores de serviço e propriedade intelectual, como patente de medicamentos, até chegar ao valor total do prejuízo. Mas está disposto a negociar com os Estados Unidos.

“O governo brasileiro está preparado para, a qualquer momento, receber propostas, analisar e discutir uma forma de encontrar uma solução negociada para esse assunto, desde que seja em uma perspectiva global, uma perspectiva de cumprimento das recomendações”, declarou Carlos Márcio Cozendey, do Departamento de Economia do Ministério Relações Exteriores.

O governo americano se declarou decepcionado ao tomar conhecimento das retaliações planejadas pelo Brasil e afirmou que está trabalhando para chegar a uma solução negociada.

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo lamentou a inclusão do trigo americano na lista de produtos que vão pagar mais imposto e alegou que tem recorrido a ele quando a produção nacional e a importação da Argentina são insuficientes.

Segundo a Associação, caso o Brasil tenha de importar trigo este ano, o imposto poderá ter impacto sobre o preço de massas e pães.

Jornal Nacional

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