Destino dos alimentos do Produtor até à mesa do Consumidor – A CEAGESP
13 de setembro de 2009 | por Rafaela |O Programa Globo Repórter da Rede Globo desta sexta-feira (11-09) mostrou como é o caminho dos alimentos desde a colheita, pesca, etc, até a chegada deles na mesa do Consumidor.
Por ter sido o programa todo falando sobre vários assuntos interessantes, distribuirei por posts, para ser de mais fácil acesso.
CEAGESP - Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo
A Ceagesp é tida na Europa como o mais importante centro de distribuição de frutas e legumes do mundo. Em tamanho, ocupa o terceiro lugar, perdendo apenas para Paris e Nova York. Só do alto dá para se ter uma idéia de onde começa e termina a área gigante de 700 mil metros quadrados. É uma cidade que não fecha nunca, funciona 24 horas, de segunda a segunda.
É um dos raros lugares do mundo onde é possível encontrar o ano todo uma variedade enorme de frutas. A venda direta ao consumidor já virou até roteiro turístico. É comum encontrar europeus encantados com tanta riqueza.
“Eles acham incrível a quantidade de frutas fora da estação, essa coisa de provar, a variedade. Lá eles não têm isso. Não se pode provar nada, não se pode botar nada na boca sem ter comprado”, conta a empresária Eliana Roscher.
Ao todo, 44 ruas ligam os prédios por onde circulam, todos os dias, 50 mil pessoas; 7 mil caminhões; 3 mil carros; mais de 3 mil carregadores; e 3 mil empresários, entre produtores, vendedores, varejistas e atacadistas.
O volume do comércio realizado na Ceagesp diariamente é de 10 mil toneladas. Verduras, legumes, flores e pescados são responsáveis por quase a metade das vendas. Mas são as frutas o carro-chefe dos negócios. Representam mais de 50% do faturamento, que, no ano passado, chegou perto dos R$ 5 bilhões.
É muita comida: frutas, legumes, verduras, toneladas de pescados. A cidade que tem dois rios poluídos – e não tem praia – compra até peixe vivo.
Lá dentro, o burburinho reflete os números: mais de 1,5 mil pessoas circulam pelo galpão até as 6h. A mercadoria vem do mar e dos rios, de Sul a Norte do Brasil e até do Chile, da Argentina e do Uruguai.
Em uma segunda-feira, dia de maior movimento, o mercado chega a receber 350 mil quilos de pescado. A menor parte é distribuída para as outras regiões do Brasil, porque só o estado de São Paulo consome 70%.
Feirantes, comerciantes, donos de restaurantes, donas de casa. É tanto movimento que falta espaço para os carregadores – e sobra animação para virar a noite sem pegar no sono.
Mapeando as safras ao redor do mundo, os atacadistas da Ceagesp conseguem montar uma rede cada vez maior de fornecedores. A comida chega de 1,5 mil municípios brasileiros e 18 países. Na redistribuição, metade fica na Região Metropolitana de São Paulo. A outra metade serve o interior do estado e centenas de municípios, de Norte a Sul do Brasil.
“O lugar mais difícil para entregar fruta é Manaus, porque não existe acesso ao Amazonas. Roraima é o lugar mais distante. São 12 dias de viagem até Manaus. De Manaus, subimos de carreta mais 700 quilômetros”, diz o empresário Mário Benassi, que se fez na vida olhando para o mapa e inventando um jeito de viajar, sempre cada vez mais longe. Quando comprou a licença para trabalhar, 40 anos atrás, não tinha a menor ideia de aonde chegaria. Sabia apenas que precisava trabalhar porque era muito pobre.
“Comecei sozinho, com um ajudante. Hoje tenho 1.250 funcionários com carteira registrada só em São Paulo. No total, são mais de 3 mil funcionários no ramo de fruta, graças a Deus”, conta Mário.
Cada produto exige cuidados específicos. Mas a fórmula para chegar a um final feliz é comum a todos eles: tem que começar a viagem ainda verde – maduro, nem pensar.
O tomate é um dos legumes mais perecíveis. Para Manaus, por exemplo, tem que sair verde. “Para chegar lá vermelho, no ponto de ser consumido”, explica o empresário Marcelo de Souza.
No caminhão de frutas que seu Mário manda para Manaus, tem uva e abacate do interior de São Paulo; goiaba do Paraná; maçã de Santa Catarina e da Argentina; kiwi do Chile; e ameixas e nectarinas da Espanha.
A nectarina, por exemplo, saiu da cidade de Dom Benito, na Espanha, e viajou de caminhão os primeiros 300 quilômetros até o Porto de Lisboa, em Portugal. Depois, foram dez dias de navio até o Porto de Santos, no litoral sul de São Paulo. Mais uma semana, entre a papelada e a embalagem, e as nectarinas – finalmente – embarcaram no caminhão-frigorífico que vai para Manaus. A partir de então, uma única pessoa fica responsável pela qualidade da carga. É o motorista, que muito além de um motor e vários pneus, tem que ser um “expert” em computador.
“Fica a 0ºC direto. Se alterar o relógio ou o sensor que está dentro da câmera, automaticamente tenho que comunicar a empresa. É tudo controlado via satélite, por rastreador”, afirma o motorista carreteiro Ricardo Oliveira.
É como viajar em um “Big Brother”, sem chance de sair um milímetro que seja da rota. Além de competência, é preciso muita paciência.
São, pelo menos, dez dias para chegar a Manaus. Ao todo, 4.345 quilômetros, entre estrada e balsa pelo Rio Solimões. De avião, são apenas três horas em um voo direto.


